Todo e qualquer aparelho, do mais simples ao mais complexo, requer dois elementos básicos para poder ser operado: um método de acção e um método que mostre o efeito dessa acção. Ao pedalarmos numa bicicleta, a bicicleta move-se. Ao teclarmos, vemos o resultado num ecrã. Mas, na década de 50, o ecrã de um computador era um conceito de ficção científica. O resultado da introdução de dados nos primeiros computadores electromecânicos ficava registado em intermináveis folhas de 80 colunas expelidas pelos teleimpressores. Só no cérebro prodigioso dos programadores tinha lugar a visualização propriamente dita do processamento de dados, num turbilhão de incontáveis sequências de dígitos, instruções, registos e endereços de memória.

Na altura, a televisão, muito popular nos EUA, já se afigurava como tecnologia ideal para dar um novo rosto ao computador, pelo que não tardou que o vídeo fosse adaptado como meio de saída de dados das gigantescas unidades de processamento dos anos 60. Nascia a era do terminal informático, se bem que muitos profissionais ainda os considerassem como meros teleimpressores de vidro.

TECLA PREMIDA, RESULTADO À VISTA

O VT52, da DEC, foi um dos primeiros terminais a fundir a introdução de dados via teclado com a visualização do respectivo resultado. O antigo método de programação informática, que antes se iniciava com cartões perfurados e finalizava em papel matricial, estava agora assimilado numa única consola de operação interactiva – uma consola com cujo ecrã se podia gerir e controlar todo um sistema computacional. Ou seja, monitorizá-lo.

O monitor rapidamente passou a ser a principal metáfora visual a que se associa qualquer aparelho informático: um altar para aficionados, sinal de terror para inadaptados, nota de enfado para melancólicos. No fundo, uma janela para a alma de cada computador e seus utilizadores.

CRT, LCD, TFT E MAIS QUÊ?

A evolução do monitor convergiria inevitavelmente com o progresso tecnológico dos sistemas de vídeo. Os PC da década de 80 reflectiam nos seus monitores de ecrã esverdeado o legado dos terminais da década anterior, mas outros sistemas aproveitavam recursos já existentes para apostar no entretenimento para toda a família. Consolas como a Philips Videopac, NES e Megadrive faziam da televisão de casa o seu próprio monitor, e os famosos computadores ZX Spectrum, C64 e Commodore Amiga seguiram-lhes o exemplo. Ainda hoje, a televisão continua a ser o derradeiro núcleo das inúmeras propostas de futuras casas inteligentes.

Contudo, o núcleo visual do computador moderno é sem dúvida o monitor TFT (transístor de película fina), uma versão avançada da tecnologia LCD. O sistema é engenhoso: através de uma corrente eléctrica direccionada, toda a matriz de cristais líquidos microscópicos posiciona-se na superfície do ecrã de modo a filtrar a luz uniforme emitida pelo monitor, gerando píxeis de cores. Mas outros métodos podem vir a ser ainda mais revolucionários. Com a tecnologia OLED, prevêem-se ecrãs que poderemos enrolar e levar para qualquer lado. E há em estudo dispositivos de projecção de imagem directamente na retina.

fonte: Dicionário Digital